quinta-feira, 21 de junho de 2012

Procurem Abrigo

Se eu tivesse que apontar um defeito a este filme, seria a duração (provavelmente, 15 minutos a menos não fariam mal). Mas, se isto é o pior que Procurem Abrigo (Take Shelter, 2011) oferece... enfim.
A história, embora já tenha sido contada noutras obras, não deixa de surpreender: um casal de classe média americana, com uma vida estabilizada e feliz, vê a sua vida transformar-se num inferno quando o homem (Michael Shannon) começa a ter pesadelos e se convence de que algo de muito mau está para acontecer no futuro breve. Na luta interior que trava entre convencer a família e a comunidade da catástrofe que está para acontecer e o reconhecimento da esquizofrenia que o vai invadindo, vai preparando o abrigo anti-tempestades para algo “maior”.
Procurem Abrigo é uma história muito bem contada: a marcação do tempo é magistral, com a progressiva viagem à loucura de um homem normal a ser mostrada em contraposição com a tentativa cada vez mais desesperada da mulher (Jessica Chastain) em lutar com o marido pela salvação da família. Apesar da crítica inicial, compreendo a opção do realizador (o tempo é essencial para mostrar como a transformação não acontece num instante)
Tanto Michael Shannon como Jessica Chastain são, mais uma vez, geniais. Shannon só o havia visto em Revolutionary Road (Revolutionary Road, 2008), e as 2 ou 3 cenas em que participa são brilhantes (premiadas com uma nomeação). Sobre Jessica Chastain não vale a pena acrescentar muito mais ao que tenho escrito sobre ela: arrisca-se a ser a melhor actriz dos próximos anos.
Uma nota para referir que vale a pena ver este filme por tudo isto, mas também pelo final que, para além de muito bem trabalhado, não desilude face ao enredo construído ao longo das quase 2 horas de flime.

4 comentários:

scheeko™ disse...

Isso é porque não vês séries da HBO como eu te digo. Além de ainda teres em atraso o The Wire e o John Adams, vai ver o Boardwalk Empire que logo vez mais do Shannon, e muito bom: um agente federal puritano encarregado de fazer cumprir a lei seca, mas que mais e mais se vê confrontado com situações onde se envolve com os pecados que tanto tenta evitar.

António V. Dias disse...

Pois, continuo alérgico a séries. E mesmo filmes, desde os óscares devo ter visto uns 3 ou 4. TV e cinema não me tem apetecido. Mas este vale a pena. Abraço

Lily disse...

eu não percebi o final... eles morrem ou ele foge com a familia para o abrigo? e ele está maluco ou todos os sonhos eram realidade?

António V. Dias disse...

O filme deixa a interpretação em aberto: ou ele estava certo e a fim estava próximo ou levou a própria família à loucura. Esse foi um dos aspectos de que gostei no filme: as coisas poderem não ser o que parecem e dar-nos "espaço" para encaixarmos o nosso próprio final.

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