terça-feira, 5 de junho de 2012

RIR 2012

Para primeiro festival, foi uma experiência que superou largamente as minhas expectativas. Era o único dia que me interessava, por dois grandes motivos: Stevie Wonder e Bryan Adams, por esta ordem.

Bryan Adams é um dos artistas da minha adolescência. Para mim, que nunca ouvi muita música “do meu tempo”, este era uma excepção. Lembro-me do So Far So Good, o primeiro Best Of, álbum onde foi lançado o Please Forgive Me e que eu tinha ainda em cassete!
O concerto no passado dia 2 foi espectacular (há que dar o desconto nesta opinião: fui, no máximo, a uns 4 ou 5 concertos pop-rock na vida, mas como a minha opinião foi partilhada por quem me acompanhava, muito mais experientes nestas andanças). Aos 52 anos, e com um ar pouco menos acabado do que a velha do Castelo Branco, assim que pisou o palco fez esquecer a idade: foram 18 ou 19 músicas non-stop, todas minhas conhecidas (uma raridade), numa actuação que em cheio, que cativou o público e fez o tempo voar naqueles 100 minutos.
E se, musicalmente, as canções de Bryan Adams não sejam fora de série, a carreira que construiu foi muito bem conseguida, mesmo tendo uma última década mais “calma”.
Foi um concerto fantástico.

75 minutos de intervalo fizeram esmorecer o ânimo de quem esperava pelo concerto seguinte, (supostamente) do cabeça-de-cartaz. À uma da manhã ainda o concerto, marcado para a meia-noite, não tinha começado.
As ameaças de assobios não passaram disso mesmo: de ameaças.

Quando Stevie Wonder entrou em palco, os cerca de 15 minutos instrumentais não foram, na minha opinião, a melhor forma de fazer as pazes com aquele público que foi lá mais por Bryan Adams. Para os verdadeiros fãs de Stevie Wonder, o espectáculo mal havia começado.
Eu considerava-me um fã “moderadamente fã”. Sabia que era dos poucos músicos que eu iria ver com vontade, e conhecia umas 10 músicas, provavelmente as mais comerciais, sobretudo a banda sonora do filme A Mulher de Vermelho (com I Just Called To Say I Love You e It’s You, esta última a minha preferida até este concerto). My Cherie Amour, Yester-me Yester-You Yesterday, Superstition, Isn’t She Lovely, Part-Time Lover, Ebony and Ivory e You Are The Sunshine Of My Life completavam o reportório que eu conhecia.
Umas semanas antes, quando soube que iria ao concerto, saquei um Best Of. Ao “ir ouvindo” no trabalho, fui reparando (ou confirmando) no génio que é Stevie Wonder(ful). Musicalmente, é um compositor de outro planeta, uma lenda viva. O concerto veio confirmar a genialidade musical e mostrar a pessoa fantástica por trás do músico.
Descobri neste Best Of que Gangsta’s Paradise cantada por Coolio, uma das músicas “do meu tempo”, é um êxito de 1976 de Stevie Wonder (Pastime Paradise, no original), outras foram entrando também no ouvido, como A Place in the Sun, For Once In My Life, Signed, Sealed, Delivered I’m Yours, Master Blaster (Jammin’), For Your Love, Lately, He’s Misstra Know It All ou Overjoyed
Mas ao vivo, todas (algumas, porque não as tocou todas) estas músicas ganharam uma nova dimensão: a riqueza que possuíam é muito melhor perceptível em concerto: a interpretação de Overjoyed (num medley improvisado com Raindrops Keep Falling On My Head, assim que começou a chover) tornou-a numa das minhas favoritas.
Stevie Wonder é um One Man Show, e a actuação dele dia 2 em Lisboa, apesar da hora tardia e do público a dispersar, só o veio provar. Humilde, simpático (sem a simpatia pateta do “Hello Portugal”), a sua atitude encheu o palco muito para além da música.

Por esta experiência tenho que agradecer a quem me deu o bilhete que eu nunca iria comprar: João, Marta, Bia, Carlos e Tiago: Obrigado.

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