domingo, 5 de agosto de 2012

84 Charing Cross Road



Um filme sobre a verdadeira amizade, para os amantes de livros…

Há filmes que, apesar da sua simplicidade, conseguem juntar o “melhor de dois mundos”, sem presunção nem grandiosidade… apenas com a sincera intenção de contar uma boa história. A Rua do Adeus (84 Charing Cross Road, 1987) consegue conjugar o lado humano que qualquer boa história deve conter, com a paixão pela cultura e o lado “erudito” que aproxima dois seres separados não só por um oceano, mas também pelas agruras do tempo conturbado que a sua existência atravessou ao longo do século XX.

Em 1949, Helene Hanff (Anne Bancroft), escritora nova-iorquina, começa a corresponder-se com Frank Doel (Anthony Hopkins), empregado de uma livraria londrina, no nº 84 de Charing Cross Road, pedindo-lhe algumas edições de literatura inglesa que não conseguia encontrar na versão original nos Estados Unidos.
Começa aqui uma amizade que atravessou décadas, porventura as mais atribuladas do século passado, mas que, também por isso, permitiu o estreitar de uma relação de um modo tão honesto, cuja pureza seria difícil noutra época. O racionamento que o Reino Unido vivia no pós-guerra era contrariado pelos pequenos “cabazes” que Hanff enviava a Doel e aos restantes empregados da livraria Marks & Co. A amizade entre Helene e todo o pessoal da livraria vai-se desenvolvendo ao longo dos anos, com envio de livros como pano de fundo, e pretexto para alimentar uma relação que, mesmo à distância, se tornou mais próxima do que muitas amizades “convencionais”. Mas foi com Frank que Helene estabeleceu a amizade mais identificadora, e que se prolongou por 20 anos, até à morte deste.
Nunca se viram.
Quando finalmente Helene consegue reunir dinheiro para viajar até Londres, já Frank havia falecido... 

Nunca li o best-seller em que se baseou este filme, mas o facto de ser uma história verídica (ou pelos menos, foi baseado numa história verídica), é para mim razão suficiente para dar crédito a um filme que, de tão despretensioso, pode dar a ideia de falta de profundidade: pura ilusão. A Rua do Adeus é uma belíssima história de amizade. É uma história sobre livros também, e sobre a paixão pelos livros, sobre a paixão dos livros, e sobre a paixão que os livros podem desencadear. É uma história triste, com pessoas que viveram vidas normais num ambiente anormal (embora só o consideremos como tal à luz da história)… pessoas personificadas por três enormes artistas: Anne Bancroft, Anthony Hpkins e Judi Dench.


He Wishes For The Cloths Of Heaven,
"Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams."

William Butler Yeats

(De Frank para Helene - provavelmente, o único livro que ele lhe enviou sem ela ter pedido)

2 comentários:

David "o espanhol" disse...

Muito bom!!

Um grande abraço

António V. Dias disse...

É uma história muito bonita.
E se não fossem vocês a falarem-me dela, não sei quando é que a iria descobrir.

Grande abraço

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