domingo, 25 de novembro de 2012

Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hoood Hills


Há já algum tempo que me tenho interessado pelo cinema documental, sobretudo no que respeita a investigações criminais em crimes de sangue.
Claro que vejo sobretudo em TV, mas de vez em quando há um que vai para os cinemas e que me chama a atenção. Aconteceu com A Oeste de Memphis (West of Memphis, 2012) sobre o assassinato de 3 crianças em 1993, aparentemente por 3 adolescentes em West Memphis, Arkansas.
Ao ponderar ir ver a estreia no Lisbon & Estoril Film Festival, descobri que já há uma série de três documentários (Paradise Lost) feitos sobre esta história.

Ver o primeiro filme, Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hoood Hills (1996) é uma experiência dura.
Porque três crianças de 8 anos foram assassinadas da forma mais brutal: esfaqueadas, mutiladas, presumivelmente abusadas e largadas num bosque da região de West Memphis.
Porque três adolescentes foram acusados deste crime, adolescentes que pouco menos crianças são do que as vítimas (fica a dúvida se são três ou seis as vítimas).
Porque os três foram condenados com base em provas e métodos policiais muito duvidosos.

Pessoalmente, e tendo lido um pouco sobre o filme de 2012 (que não faz parte da triologia anterior mas que captou a atenção do público também por ter Peter Jackson como produtor) e por isso mesmo suspeito do que virá a ser o desenlace, não consigo acreditar na culpabilidade daqueles três miúdos: acredito que um profissional da dissimulação não conseguiria reproduzir a ingenuidade daqueles jovens.
A raiva (em parte compreensível) levantada por um crime tão horrível mostra a incoerência de que somo feitos: culpados no matter what. O fanatismo religioso, algo deveras assustador quando num mesmo minuto se invoca o perdão divino e se pratica tiro ao alvo simulando alvejar os adolescentes que ainda nem sequer haviam começado a ser julgados resume na perfeição a América profunda, com toda a sua americanidade, o retrato da comunidade rural do interior, onde julgamos os outros sem piscar os olhos mas perdemos a voz quando, por um golpe do destino, nos tornamos suspeitos.
Este primeiro filme, Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hoood Hills, acompanha os julgamentos dos três jovens bem como as reacções das seis famílias ao longo do processo.
É um filme perturbador: dei por mim a desejar, por um minuto, que não fosse um documentário mas apenas mais um filme de Hollywood.

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