segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A Loja da Esquina


Um dos primeiros mestres da Comédia Romântica foi Ernst Lubitsch. E se pode parecer abusivo, à vista do que hoje se faz em cinema no que respeita à Comédia Romântica, chamar de Comédia Romântica ao género em que Lubitsch se distinguiu, o facto de ter sido um dos pioneiros a arriscar um género fez dele um mestre: se a banalização torna algo menos genial, ter tido a ousadia de ter experimentado algo de novo pressupõe uma dificuldade difícil de avaliar hoje, passados 70 ou 80 anos.
Mais, Lubitsch confrontou a censura, com uma ousadia que eu não achava possível no início da década de 30 (o final de Uma Mulher Para Dois (Design For Living, 1933) que termina com uma menáge (sublimada, é certo) mostra o arrojo, mas também a inteligência da sua obra).

O outro filme de Lubitsch que vi, vi-o na 6ª-feira passada, também na Cinemateca: A Loja da Esquina (The Shop Around The Corner, 1940). Surpreendeu-me tanto (pela positiva), em parte pela indiscutível qualidade de toda a obra (do elenco à história à realização), e em parte devido a não ser exactamente aquele género de filme que me apetecia ver no momento.
A acção passa-se numa loja em Budapeste, pela altura do Natal: dos empregados ao dono, todos os personagens são assumidamente estereotipados, mas são-no com uma sinceridade que, mais do que aborrecer, nos diverte. Porque toda acção se desenvolve num tom ligeiro que não impede o reconhecimento de ser uma obra notável.
Para além das histórias laterais no enredo, o tronco principal do argumento prende-se com a relação conflituosa entre o principal empregado da loja e uma vendedora recém-contratada. Não se podem ver. Mas ambos têm um “namoro” por correspondência… só não sabem é que namoram por carta um com o outro!
Uma farsa ao belo estilo francês (embora a peça seja húngara), que se suporta num conjunto de intérpretes fantástico, com James Stewart à cabeça, mas onde Frank Morgan e Margaret Sullavan não lhe ficam atrás, e que tem tanto de entertaining como de divertido (por duas ou três vezes ri-me sem parar).
Um filme divertido que mostra como um tema simples, quando é bem desenvolvido, pode atingir uma qualidade superior.

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