segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Funny Games


Michael Haneke é um dos melhores realizadores contemporâneos.
Tendo visto recentemente alguns dos seus filmes - O Laço Branco (Das Weisse Band, 2009), Amor (Amour, 2012) e A Pianista (La Pianiste, 2003) – acabei de ver um outro que há muito tinha intenção de o fazer: Brincadeiras Perigosas (Funny Games, 1997). E, embora numa temática bem diferente, a intensidade (que começo a considerar também ela uma marca do cinema da Haneke) está lá. Brincadeiras Perigosas é de uma tensão quase do início ao fim, um thriller que bem poderia ter sido realizado por Hitchcock na actualidade.
O espectador está do lado dos bons e inocentes mas Haneke puxa-nos constantemente para o lado dos maus. E quando pensamos que é desta que os inocentes vão alcançar a vantagem num jogo psicótico que é todo o filme, uma pequena vitória que seja, somos empurrados de novo para o medo claustrofóbico e macabro do poder maligno. Porque são os psicopatas que são os confidentes do espectador, é para eles que somos impelidos a confraternizar pese a nossa simpatia pelos que estão totalmente desprotegidos.
Nesta história não há misericórdia nem moral, há uma visão que nos choca, da maldade pela maldade, porque é praticada pela mente retorcida e demoníaca de dois psicopatas, indiferentes a tudo. É uma obra notável.
No que respeita a filmes que se pretendem centrar mais nas sensações que pretendem provocar no espectador do que nos porquês ou na lógica presente no desenrolar da acção, só me lembro de um: Um Assassino pelas Costas (Duel, 1971), o filme de Spielberg feito para TV e que o revelou ao mundo.

Reconheci em Brincadeiras Perigosas um notável actor alemão, Ulrich Muhe, que havia visto num outro filme genial, As Vidas dos Outros (Das Leben der Anderen, 2006), mas aqui, nem é ele o principal protagonista: Susanne Lothar, Arno Frisch, Frank Giering e Stefan Clapczynski estão todos tão perfeitos, cada um no seu personagem, que não é justo realçar um mas o todo.

A versão americana, feita também por Haneke uma década depois, não a vi. Mas como me disseram que era uma cópia descarada do original, vou-me ficar por este.
Muito bom mesmo: um dos melhores exercícios de suspense que vi nos últimos tempos.

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