domingo, 24 de fevereiro de 2013

Apontamentos de política da qual tenho andado afastado


Quem não cantar o “Grândola” não é bom chefe de família.
Parece que os excitadinhos do movimento “Que se Lixe a Troika”, os que se diziam apolíticos na manifestação de Setembro do ano passado afinal são tão apolíticos como o Lenine ou o Salazar.
O comportamento destes meninos pelo país (só ainda não partiram montras por não ser bem aceite, porque vontade não lhes falta: mentalidade bloquista “só fazemos o que é popularucho”) resume-se a falta de respeito. Tão simples quanto isso. E dizem-se democratas.
Uma palavra de apreço para Joaquim Jorge pela coragem com que enfrentou os meninos de coro (como eu!). É esta coragem que é precisa, em vez de nos limitarmos a elogiar a “coragem fácil” da manada guinchona. Só não entendo porquê tanto medo em chamar a polícia. Se os putos confundem democracia com falta de respeito, só têm que acertar contas com a justiça. Não percebo o receio que os políticos têm de aplicar a justiça a estes vândalos.

Pedirem facturas em nome de outra pessoa, seja o PM ou o canalizador que não passa facturas (e que é bem capaz de andar a escarrar o “Grândola” pelo país fora e a reivindicar a redução dos impostos que não paga) é crime. E para criminosos o destino é óbvio: a prisão.

António José Seguro sugeriu que a avaliação da Troika fosse feita por políticos e não por técnicos. Bem sei que o inimigo passou a ser exterior (uma técnica de mentalização colectiva tão velha quanto as religiões ou as nações), mas convém lembrar o que todos passaram a querer esconder: um dos principais motivos por que estamos assim é simplesmente termos andado a gastar mais do que temos (e produzimos). Só para lembrar…
E só para lembrar também que quem andou a orientar esta gestão orçamental suicida foram… políticos… aqueles que o Seguro quer pôr agora a avaliar os resultados das medidas criadas para corrigir o que eles próprios criaram… valerá a pena tecer mais comentários a tamanha patetice?

A lei de limitação de mandatos afinal tem um erro disse a Presidência da República: esta veio agora dizer que a lei publicada em DR não foi a que a PR aprovou: em vez de "presidente da câmara", o que foi aprovado foi "presidente de câmara", o que faz toda a diferença: no primeiro caso um presidente de câmara fica impedido de se recandidatar uma quarta vez apenas à câmara municipal que dirige, enquanto que no segundo, o impedimento é para qualquer câmara, que creio ser esse o espírito da lei.
Sem indagar de quem é a responsabilidade, até porque vai tocar a todos até chegar a quem faz menos estragos: o operário da máquina de impressão do DR (ou mesmo a máquina, para não  se culpar ninguém), esta deveria ter que ser apurada quanto antes.
Aproveitamento político óbvio: o PSD não quer rever a lei antes das autárquicas sob pena da derrota no Porto e em Lisboa (embora seja muito provável perder estas eleições na mesma); a oposição claro que a quer rever.
Por princípio, não concordo com o espírito desta lei, porque esta é uma lei de recurso, castradora: se alguém é bom, porque é que não há-de poder continuar a fazer um bom trabalho? Em qualquer cargo privado é assim. Para combater uns corruptos, sejam uma maioria ou uma minoria, cortam-se as pernas a todos por igual. Estas leis cobardes não contam com a minha concordância: se alguém é corrupto, deve ajustar contas com a justiça... ser impedido de se recandidadar depois de gamar não é castigo: é castigo apenas para quem não gamou, ou seja, para os inocentes.
Seja como for, mais uma palhaçada para o país discutir até às autárquicas. Já havia poucas...

Para terminar, uma notícia feliz: há um artista de rua inglês chamado Banksy, que de vez em quando resolve pintar espaços públicos. Acontece que uma das suas obras foi “roubada” e apareceu à venda na net numa leiloeira da Florida.
População indignada, “a obra pertence à comunidade”, “o artista Banksy ofereceu-nos isto a nós” etc… a conversa do costume. Mas há um pequeno detalhe: o senhor resolveu pintar a dita obra numa parede… privada.
O que fez o dono da parede? “Arrancou” a pintura e vendeu-a! Grande homem!
A parede era dele; O Banksy foi lá sujá-la; ele aproveitou e ganhou dinheiro com o trabalho do outro! Fantástico! Melhor mensagem não poderia passar aos “artistas de rua”: o pessoal do graffiti que se cuide!
No meio de tanta trapalhada, achei simpático terminar este post com uma notícia feliz: uma mensagem de esperança a todos os “grafitados” do mundo.

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