domingo, 17 de fevereiro de 2013

Óscares (Parte V e última antes da cerimónia)


Vistos finalmente os filmes nomeados, confirma-se o bom ano cinematográfico. Embora eu ache que este ano teve apenas um filme fora-de-série, Amor (Amour), a quantidade de filmes bons ou muito bons, pelo menos entre os nomeados, foi muito superior em relação a anos anteriores.
Dos nove filmes seleccionados, não há um que eu possa dizer que não gostei.

Falando de Django Libertado (Django Unchained, 2013), o único filme de que ainda não tinha falado (só o vi ontem): é bom. Tarantino é um bom realizador, grande argumentista e um genial director de actores. Christoph Waltz tem mais um desempenho genial (só percebo a classificação como actor “secundário” para lhe dar hipótese de ganhar os prémios que tem ganho, fugindo ao confronto com Daniel Day-Lewis), mas todo o elenco está à altura. De resto, muito sangue e situações hilariantes, ao estilo Tarantino. Gostei muito de dois aspectos neste filme:
- A coragem e frontalidade com que Tarantino abordou o tema da escravatura. O filme é um verdadeiro manifesto, com o absurdo, mais do que a ironia, a representar a função de crítica social/histórica.
- A homenagem aos western-spaguetti. Porque Django Libertado, mais do que um western aproxima-se muito mais do estilo dos western-spaguetti… não faltou a utilização da antiga banda sonora de Ennio Morricone, o histórico compositor no género (mas não só), ou a participação especial de Franco Nero, o primeiro Django no cinema (Django, 1966), embora neste caso fosse branco e não fosse escravo.

Haveria tantos pontos a destacar no cinema desta ano que vou apenas mencioná-los sem grandes divagações.
A qualidade das interpretações é uma imagem de marca deste ano.
Na Realização, alguns “esquecimentos” flagrantes da Academia (como em 00:30 Hora Negra (Zero Dark Thirty), Argo (Argo) ou Os Miseráveis (Les Miserables)) não ofuscam a qualidade de alguns dos nomeados com Bestas do Sul Selvagem (Beasts Of The Southern Wild), A Vida de Pi (Life of Pi) e Amor no top. Michael Haneke é aquele que, na minha opinião, e na ausência dos mencionados acima, fez um trabalho nesta área bastante superior à concorrência.
Histórias muito bem contadas completam os três pontos a reter este ano (por estar a resumir o que de principal merece ser destacado não vou referir questões técnicas, algumas das quais já devo ter mencionado.
Posto isto, e sem arriscar previsões (até porque alguns dos meus preferidos nem nomeados estão), listo apenas os que mais me cativaram:

Filme: 1-Amor;  2-Argo; 3-Django; 4-Guia Para Um Final Feliz; 5-Zero Dark Thirty
Realização: 1-Michael Haneke (Amor); 2-Ben Affleck (Argo); 3-Kathryn Bigelow (Zero Dark Thirty); 4-Tom Hopper (Os Miseráveis); 5-Quentin Tarantino (Django); 6-A Vida de Pi (Life of Pi)
Actor: 1-Daniel Day-Lewis (Lincoln); 2-Joaquin Phoenix (O Mentor (The Master)); 3-Jean-Louis Trintignant (Amor); 4- Bradley Cooper (Guia para Um Final Feliz)
Actriz: 1-Jennifer Lawrence (Guia Para Um Final Feliz); 2-Emanuelle Riva (Amor); 3-Jessica Chastain (Zero Dark Thirty)
Actor Secundário: 1-Christoph Waltz (Django); 2-Tommy Lee Jones (Lincoln); 3-Philip Seymour Hoffman (O Mentor)
Actriz Secundária; 1-Anne Hathaway (Os Miseráveis); 2-Amy Adams (O Mentor); 3-Helen Hunt (Seis Sessões (The Sessions)); 4-Sally Field (Lincoln)

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