sexta-feira, 29 de março de 2013

O Paciente Inglês


Revi hoje um filme que, aquando da primeira visualização, não me havia causado grande impressão: O Paciente Inglês (The English Patient, 1996).
O filme é, simplesmente, mágico: construir um épico com a substância que este tem e, em simultâneo mas de uma forma coerente, com a “leveza” que este filme transmite durante as mais de duas horas e meia de duração resultou... este filme resultou.
Resultou nas interpretações, sobretudo a de Juliette Binoche, mas também Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas, e um conjunto de notáveis secundários. Resultou no modo como conta uma grande história de amor com algo de “muito principal” e enquadrá-la. Não há muitos filmes a conseguirem retratar uma época ou um acontecimento e, em simultâneo partir para o intimismo e realçar as relações entre as personagens, sobretudo uma história de amor. Dr. Jivago (Doctor Zhivago, 1965) ou Casablanca (Casablanca, 1943) são exemplos de filmes que alcançaram tal feito na perfeição. Talvez não seja por acaso que são dois dos grandes filmes de sempre, duas das maiores histórias de amor, dois dos maiores retratos de conflitos históricos de sempre.
Nestes, tal como em O Paciente Inglês, a utilização do flashback foi a forma escolhida para colocar em perspectiva um passado triste (é desta forma que sabemos que cada uma destas histórias não tem um final feliz). Mas se em Dr. Jivago o flashback não é essencial, em Casablanca é, embora seja no presente que a “acção” se desenrola.
Neste ponto, O Paciente Inglês é inovador: acompanhamos em paralelo as história de amor vivida nos anos anteriores à 2ª Grande Guerra e início da mesma pelo Conde Laszlo de Almásy e Katharine Clifton, e a sua situação actual, já no final do conflito, onde uma enfermeira lhe presta apoio nos seus últimos dias.
O filme é muito british, muito estético, e cheio de conteúdo: um amor proibido em tempo de guerra tendo como cenário o Sahara… se tudo isto não fosse muito bem encadeado (eu diria mesmo: respeitado), teríamos o filme estragado (e há tantos).
A minha ignorância não me permitiu identificar Mahler na banda sonora, mas quando Hana, a enfermeira que toma conta de Almásy, descobre um piano entre os escombros do mosteiro abandonado e toca as primeiras variações das Variações de Goldberg de Bach, foi construído um momento de magia… e este filme é pura magia.

Almásy: You're wearing the thimble.
Katharine Clifton: Of course, you idiot. I always wear it; I've always worn it; I've always loved you.

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