quinta-feira, 11 de abril de 2013

Kill Bill e o trio fantástico



Não gostei muito de Kill Bill 1 e 2 (Kill Bill, 2003, 2004): tanta conversa; “Nunca viste?!”; “Como é possível?!”; etc…uma boa merda.
Sobretudo quando comparado com os dois últimos filmes do Tarantino, Sacanas Sem Lei (Inglourious Bastards, 2009) e Django Libertado (Django Unchained, 2012), muitíssimo melhores… esboçar uma comparação é roçar o non-sense.
Vi o Pulp Fiction (Pulp Fiction, 1994) há demasiado tempo para ter opinião nesta altura. Do que me lembro, aproveitam-se os dois últimos: Cães Danados (Reservoir Dogs, 1992) é outra bosta. Tenho gravados os que me restam (Pulp Fiction e Jackie Brown (Jackie Brown, 1997) que verei um dia.
Agora a sério: Cães Danados é mesmo uma merda. Kill Bill nem por isso. Mas não é grande coisa: é apenas entretenimento e nada mais do que isso. Provavelmente a ideia era mesmo essa, mas depois de eu ter visto dois grandes filmes, claramente “oscarizáveis”, este soube a muito pouco. E está anunciado o Kill Bill 3!
Não costumo perder muito tempo com filmes de que não gosto, mas resolvi abrir uma excepção porque o Tarantino é um grande realizador e um grande argumentista e por isso, merece que alguém perca tempo, nem que seja a dizer mal.

Raramente entendo o porquê de tanta gente ficar agarrada a unanimidades: parece que quando se diz que se gosta de Tarantino tem que se gostar de todos os seus filmes e não se admite que ninguém diga mal de nenhum minuto de algum filme que ele tenha feito. Soa a clubite aguda, partidarismo ou fanatismo religioso. Porque é que não se pode gostar de Kubrick e achar o Nascido para Matar (Full Metal Jacket, 1987) uma merda, por exemplo? (replicar o Vietname em Londres??!! Vá lá não se ter lembrado de ir filmar para o Pólo Norte…).
Tarantino, tal como Kubrick ou Malick, pertencem ao grupo de realizadores que, sabendo escolher muito bem o que querem fazer, não se apressam a cumprir o calendário dos estúdios mas limitam-se a seguir o seu próprio planeamento. Atingiram um estatuto, por mérito próprio, que lhes permite fazer o que querem, quer os outros gostem quer não, e isso é, claro, muito positivo, porque a Arte é isso mesmo: o Artista ter a possibilidade de criar o que lhe vai na alma.
E estes Artistas, porque com poucas obras percorreram uma variedade tão vasta (Tarantino menos, mas mesmo assim, variou bastante), tornam difícil construir a tão almejada “unanimidade de quem passa sempre a mesma receita” em torno das suas obras. Não direi impossível, mas difícil. E é também aí que reside a riqueza do seu trabalho e o reconhecimento de que, mais do que grandes realizadores, foram também realizadores diferentes, e congregar estas duas características não é para todos.    

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