quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Era Uma Vez na América



Que “filmasso”! Aconteceu-me esperar pelo momento apropriado para ver este filme. Porque é de um dos melhores realizadores de sempre, porque é um filme conceituadíssimo (e que foi “pobremente” recebido pela crítica na altura) e porque é um filme com uma duração ligeiramente acima da média (3h45m).
Dito isto, digo também que Era Uma Vez na América (Once Upon a Time in America, 1984) é um filme genial a todos os níveis. Com um único filme entrei para o “clube de fãs” de Sergio Leone (os western-spaguetti não contam: vi-os há tanto tempo que tenho que os rever para formar opinião). Todas as marcas da genialidade estão lá: da beleza extasiante das imagens (sublime a forma como consegue apresentar as cenas mais brutais com uma beleza contraditória – a cena da violação é qualquer coisa de extraordinário) ao argumento perfeito (e que mostra que não somente de diálogos se constrói um grande argumento mas também – ou sobretudo? – da marcação do tempo – as quase 4 horas de filme passam muito bem), da banda sonora de Ennio Morricone (a qual eu já conhecia, mas vê-la inserida na história e associada a caras e a situações fá-la ganhar outra dimensão… sobretudo Deborah’s Theme) ao conjunto de intérpretes fantásticos e terminando numa recriação de época(s) em 3 períodos distintos brilhante.

Tirando os actores que tiveram a sorte de participar na época de ouro do cinema, Robert de Niro arrisca-se a ser o actor da actualidade que mais participações tem em filmes de culto ou que marcaram (e marcarão) o cinema para sempre. Para isso contribuíram a sua qualidade, escolha criteriosa e alguma sorte também.

E do que trata Era Uma Vez na América? Sem me alongar, conta a história de um gang de um bairro judeu, a sua ascensão no mundo do crime (semi-)organizado e o seu crescimento enquanto jovens e transformação em homens. Ao mesmo tempo, Era Uma Vez na América é também a história da América e daquilo que a consolidou enquanto país. É uma história épica com tanta substância e, no entanto, passível de ser contada em 3 ou 4 frases.
Ao nível dos filmes do submundo ou da máfia de Scorsese ou Coppola, Era Uma Vez na América é um filme clássico que só poderia ser feito na era moderna: a visão que tem sobre a história e os meios que utiliza para a contar só poderiam ser utilizados nas décadas mais recentes. Mas consegue-o com um respeito pelo passado que nem sempre é fácil.
Não sei se há filmes obrigatórios para os amantes de cinema mas se não há passa a haver: porque este é um deles.

PS: A cara da jovem Deborah, ainda criança, não me era estranha, mas não a estava a conseguir associar a nenhuma actriz que eu conhecesse: nos créditos finais surpreendeu-me saber que Jennifer Connely tinha participado neste filme.

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